Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) aponta que 20% das crianças são afetadas por alergias

A reação alérgica ocorre quando os anticorpos reagem de maneira acima do normal ao contato com alguma substância, o que provoca sintomas como coceira, olhos vermelhos, erupções cutâneas, espirros, olhos lacrimejantes, coriza e tosse.

Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), 30% da população brasileira, sendo 20% crianças, são afetados por alergias. Entre as comuns estão a asma, rinite alérgica, dermatite atópica, alergia alimentar e a medicamentos.

No caso da asma, que pode ser intensificada no período de inverno, três pessoas morrem por dia no país, segundo a ASBAI. A doença acomete entre 10% e 25% da população e 80% dos asmáticos têm rinite. 

Já a rinite alérgica, também tem alta recorrência no país, afetando 30% da população brasileira. Dados do ISSAAC (International Study of Asthma and Allergies) apontam que 26% das crianças e 30% dos adolescentes sofrem com este tipo de alergia.

Principais fatores de risco

As alergias que acometem o sistema respiratório (cavidades nasais, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos, alvéolos e pulmões), são frequentemente desencadeadas por agentes que ficam dispersos no ar, como ácaros, poeira, mofo, epitélios de animais e o pólen, segundo afirma o médico alergista e imunologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Dr Diogo Costa Lacerda.

Lacerda relata que para o desenvolvimento das alergia é necessário uma predisposição genética associada a uma exposição a determinadas substâncias, identificadas pelo organismo, como estranhas.

As principais reações ocorrem contra os componentes da poeira, pólens, alimentos,medicamentos ou até mesmo produtos químicos. “No entanto, é importante ressaltar que a presença desses genes, não garante o desenvolvimento de alergias, mas sim aumenta a suscetibilidade”, afirma.

Além disso, fatores ambientais também possuem um papel crucial para o desencadeamento das alergias.

Os ácaros são os principais alérgenos domésticos e estão presentes em colchões, travesseiros, carpetes e estofados, além de roupas e cobertores guardados há muito tempo.

O pólen, muito presente especialmente durante o período de polinização das flores na primavera, é um desses elementos.

Outros fatores como a poluição do ar, o estilo de vida e a dieta também podem contribuir. “Embora a herança genética seja um fator importante no desenvolvimento de alergias, a interação com fatores ambientais desempenha um papel crucial”, ressalta.

Além dos cuidados durante a primavera, o inverno também é uma estação que pode agravar os sintomas das alergias. Nesta época, o ar fica mais seco devido à baixa umidade relativa e ocorre um aumento da permanência em ambientes fechados.

Cuidados e prevenções

O médico do Hospital Edmundo Vasconcelos enaltece que diversos cuidados e atitudes preventivas podem ser tomados para reduzir a frequência das alergias.

É recomendável a lavagem nasal com soro fisiológico várias vezes ao dia, auxiliando na limpeza e hidratação das narinas, aliviando a secura e reduzindo a irritação.

Diogo lembra que é importante seguir as instruções adequadas para a aplicação do soro fisiológico. “As principais medidas para reduzir a exposição aos ácaros incluem a lavagem frequente de roupas de cama e a manutenção da limpeza na casa”, garante.

Confira abaixo outros cuidados apresentados por Diogo Lacerda:

– Proteja a cama com capas de proteção para colchões e travesseiros para evitar o acúmulo de ácaros

-Evite bichos de pelúcia,animais de pelo e pena, especialmente no quarto

– Evite o mofo, reparando vazamentos de água e ventilando áreas úmidas como banheiros e utilizando desumidificadores, se necessário

– Evite produtos químicos irritantes, como fragrâncias fortes e sprays, que podem irritar as vias respiratórias

– Mantenha a casa limpa e ventilada,para reduzir a proliferação de ácaros

– Evite ambientes muito secos ou muito úmidos, que podem irritar as vias aéreas

– Evite exposição a poluentes domiciliares, como fumaça de cigarro

-Roupas de cama,cobertores,jaquetas e blusas de lã guardadas,devem ser lavados e secados ao sol ou ao ar quente,antes do uso

-Evite tapetes e cortinas de tecido

-Afaste o alérgico do ambiente enquanto se faz limpeza

– Evite métodos de limpeza a seco que possam agitar partículas no ar. Opte por métodos de limpeza úmida, como o uso de panos úmidos ou esfregões.

Extermine baratas e roedores do ambiente

Durante a primavera, os pacientes sensíveis ao pólen, devem evitar atividades externas durante os picos de liberação de pólen. Essa dica é importante em especial para aqueles que habitam regiões de clima temperado, como é o caso da região Sul do país, onde as estações do ano são bem definidas”, diz.

Medicamentos

Diversos medicamentos podem ser utilizados, como: Anti-histamínicos, corticosteroides intranasais (usados para a rinite alérgica), corticoesteroides inalatórios e broncodilatadores (utilizados na asma),  corticosteroides orais (para o caso de alergias mais graves ou crises agudas), entre outros. Vale lembrar que qualquer medicamento só deve ser utilizado após orientação médica.

O alergologista explica que o tratamento das alergias é amplo e personalizado, levando em consideração o impacto na qualidade de vida de cada pessoa. Para o tratamento, podem ser adotadas medidas preventivas e medicamentosas a curto médio ou longo prazo.

“Pacientes com sintomas leves e esporádicos, podem se beneficiar apenas de medicamentos para crises. Por outro lado, aqueles com sintomas mais graves e crônicos podem necessitar de um tratamento prolongado. É importante manter acompanhamento médico para ajustar as doses e determinar a duração adequada do tratamento”, informa.

Criado pela Organização Mundial da Alergia (World Allergy Organization – WAO), o Dia Mundial da Alergia, comemorado em 8 de julho, tem como objetivo fornecer informações precisas e úteis sobre a condição, além de incentivar o desenvolvimento de pesquisas e avanços na área.